HIPNOSE ERICKSONIANA

 

Os Fenômenos do Transe Hipnotico

Os fenômenos de transe surgem com o início da humanidade. Eles emergem, de novo, e de novo durante toda a história escrita. Desempenham um papel importante em todas as culturas. O fenômeno do transe aparece em todos os cantos da terra. Desde os sacerdotes do antigo Egito, Oráculo de Delfos, Deus colocando Adão em sono profundo enquanto removia sua costela, estados de transe têm sido relatados em vários textos através dos tempos. A hipnose, embora seja chamada de muitos outros nomes, tem estado presente em ritos e rituais praticados pelos seres humanos desde que começamos a evoluir. Tem sido usada na cura (healing) emocional, para desenvolver recursos, diminuir a dor e produzir estados alterados de consciência, durante milênios.

A história moderna da hipnose começa com Anton Mesmer, um médico francês, em 1700.

1734-1817
FRANZ ANTON MESMER

Franz Anton Mesmer, nascido na Áustria e descendente de franceses, é considerado o pai da hipnose. Inicialmente, ele usou o termo mesmerismo, o qual descrevia o processo de induzir transe através de uma série de movimentos de mão elaborados, e do uso de imãs sobre e ao redor dos seus sujeitos. Apesar do seu sucesso no tratamento de muitos pacientes, seu trabalho não foi reconhecido por seus colegas profissionais. De fato, um comitê oficial organizado pelo governo francês resumiu a investigação que fez sobre o trabalho dele… a imaginação é tudo, o magnetismo não é nada. O comitê não estava interessado em explorar o mistério dentro do processo e definiu o mesmerismo como imaginação, ou seja, que seus efeitos se deviam exclusivamente à imaginação. Portanto, a imaginação é tudo, foi uma resposta útil que permitiu que o comitê evitasse quaisquer investigações ulteriores. Eles não perceberam que essa era a chave para entender o transe hipnótico. No nosso tempo esse seria o trabalho de Milton H. Erickson.

1795-1860
JAMES BRAID, M.D.

foi o responsável pela invenção da palavra “hipnose”. Hipnose vem de hypnos, a palavra grega para sono. Ele libertou a hipnose de seus elementos místicos. Reacendeu o uso da hipnose como uma ferramenta efetiva.

1808-1858
JAMES ESDAILE

foi o pioneiro no uso extensivo da hipnose em cirurgias, enquanto morava na Índia. Seus relatos mostram uma série de 261 operações com o índice de mortalidade notavelmente baixo de 5,5%.

1849-1939
PIERRE JANET

Pierre Janet foi um neurologista e psicólogo francês que, com o tempo, descobriu o transe hipnótico e sua utilidade na promoção da cura (healing) fisiológica e psicológica. Janet foi uma das poucas pessoas que apoiou a hipnose durante a evolução da psicanálise.

1857-1926
ÉMILE COUÉ,

psicólogo que desenvolveu as Leis da Sugestão. Ele encorajava seus pacientes a dizer de vinte a trinta vezes por dia: “Todos os dias, de todas as maneiras, eu estou ficando cada vez melhor e melhor.”

LEIS DA SUGGESTÃO (Emile Coué)

1. Lei da Concentração da Atenção
Sempre que a atenção fica concentrada em uma idéia repetidas vezes, ela tende a se realizar espontaneamente.

2. Lei da Ação Reversa
Quanto mais alguém se esforça para fazer algo, menos chance tem de sucesso.

3. Lei do Efeito Dominante
Uma emoção mais forte tende a substituir uma mais fraca.

1856-1939
SIGMUND FREUD,

estudou com Liebault, Bernheim e Charcot, era paternalista demais para ser um bom hipnoterapeuta. Ele não respeitava realmente a autonomia de seus clientes, ou sua habilidade de se curarem (heal). Freud nunca alcançou a maestria nas habilidades que o possibilitassem a colocar seus clientes em nada além de um transe muito incompleto. Ele sentia que as curas (cures) eram temporárias e desnudavam os pacientes de suas defesas. Entretanto, com freqüência seus pacientes entravam em transe, na medida em que ele sem saber realizava “transe conversacional” enquanto conduzia a psicanálise. A rejeição de Freud à hipnose como uma técnica resultou no fato da hipnose passar a ser desconsiderada, e praticamente ignorada por completo, pelos seus seguidores e pelo campo emergente da psicologia. O desenvolvimento posterior da hipnose teve lugar entre psicólogos da França. Liebeault e Bernheim sustentaram idéias sobre o hipnotismo que eram paralelas às de Braid na Inglaterra.

Braid:

“As várias teorias consideradas atualmente que tratam do fenômeno do mesmerismo podem ser organizadas desta maneira: Primeiro, aqueles que acreditam que elas pertencem inteiramente a um sistema de conluio e ilusão; e a grande maioria da sociedade pode ser colocada nessa categoria. Segundo, aqueles que acreditam ser um fenômeno real, mas produzido unicamente pela imaginação, simpatia, e imitação. Terceiro, o magnetismo animal, ou aqueles que acreditam em algum meio magnético sendo colocado em ação como a causa estimuladora do fenômeno de mesmerismo. Quarto, aqueles que adotaram meus pontos de vista, de que o fenômeno é totalmente passível de ser atribuído a um estado fisiológico peculiar do cérebro e da medula espinhal.” [ James Braid-wikipedia]

1824 – 1904

Escola de Hipnose de Nancy, França
Liebeault e Bernheim foram líderes reconhecidos da Escola de Hipnotismo de Nancy, a qual colocou o estudo do hipnotismo em uma base sólida, a do conceito de sugestão e cooperação da mente inconsciente. Charcot, um médico de Paris, fundou uma escola antagonista que acreditava em magnetismo animal e que a hipnose era uma neurose, um estado nervoso patológico. Bernheim e Liebeualt eventualmente replicaram os experimentos de Charcot sem os abracadabras magnéticos e acabaram com a controvérsia. Entretanto, o interesse pelo hipnotismo declinou e houve pouco interesse no assunto até a I Guerra Mundial.

1914 – 1942
I GUERRA MUNDIAL

A partir da primeira, passando pela segunda Guerra Mundial, o interesse pela hipnose renasceu. A hipnose foi mantida viva por Milton H. Erickson, Leslie Le Cron, William Kroger, Milton Kline, Jacob Conn, Bernard Raginsky, Andre Witzenhoffer, Aaron Moss, e outros.

Atribui-se a Milton H. Erickson a renovação e o aumento de interesse e conhecimento em relação aos estados hipnóticos. Foi ele quem primeiro identificou as diferenças entre indução do transe e utilização do transe, assim como entre as potencialidades da mente inconsciente e da consciente, e como ampliar ao máximo o impacto de um transe hipnótico de cura (healing).

1902 – 1980
MILTON H. ERICKSON

Milton H. Erickson, M.D., é considerado o líder mundial dos praticantes de hipnose. Seu trabalho e obra escrita são a última palavra em hipnose hoje em dia.

Ele era psicólogo, psiquiatra e hipnoterapeuta. Era membro tanto da Associação Americana de Psiquiatria como da Associação Americana de Psicologia. Ele fundou a Sociedade Americana de Hipnose Clínica.

Erickson nasceu em Aurum, Nevada, uma cidade que não existe mais. Ele foi uma das poucas pessoas que seguiram para o oeste em uma carroça coberta, indo morar com sua família em Wisconsin.

O interesse dele por hipnose se iniciou quando ele foi a uma demonstração de Clark Hull (1884 -1952), um hipnotizador e psicólogo que ocupava uma posição de liderança na época.
“Com freqüência se atribui a Hull o início do estudo moderno da hipnose. O trabalho dele, Hipnose e Sugestibilidade (1933), foi um estudo rigoroso do fenômeno, usando estatísticas e análise experimental. Os estudos de Hull demonstraram enfaticamente, de uma vez por todas, que a hipnose não tinha conexão com o sono (“a hipnose não é sono,… não tem nenhuma relação em especial com o sono, e todo o conceito do sono, quando aplicado à hipnose, obscurece a situação”). O resultado principal da pesquisa de Hull foi refrear as alegações extravagantes dos hipnotizadores, especialmente aquelas referentes a melhorias extraordinárias na cognição ou dos sentidos sob hipnose. Os experimentos de Hull realmente mostraram a realidade de alguns fenômenos clássicos tais como a anestesia hipnótica e a amnésia pós-hipnótica. A hipnose também podia induzir aumentos moderados em certas capacidades físicas e alterar o limiar de estimulação sensorial; efeitos de atenuação podiam ser especialmente dramáticos. Hull é famoso por assinar a indução hipnótica em que ele olhava para alguém diretamente nos olhos até que a pessoa fosse induzida”. [Clark Hull wikipedia]

Após se graduar na universidade, Erickson foi nomeado para vários hospitais psiquiátricos. Foi responsável pelo treinamento de muitos psiquiatras, assim como estudantes de medicina. Ele colocava uma grande ênfase na observação cuidadosa, a qual ele acreditava que aumentava as habilidades de qualquer hipnoterapeuta. Ele gostava de descrever a terapia como uma maneira de ajudar os pacientes a ampliarem seus limites, e ele passou sua própria vida fazendo simplesmente isso.

Ele acreditava que a psicoterapia consistia em substituir más idéias por boas idéias.

Leitura recomendada: Advanced Techniques of Hypnosis and Therapy: Selected Papers of Milton H. Erickson, M.D. de Jay Haley, Capítulo 2 – Grune and Statton Publishers, New York.

Erickson

Em outras palavras, a técnica hipnótica serve apenas para induzir um contexto favorável no qual ensinar aos pacientes um uso mais vantajoso de seus próprios potenciais de comportamento. (Erickson 1980,Vol. IV, cap. 28, p 262) veja na bibliografia a informação completa.

 

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