HIPNOSE ERICKSONIANA

 

Sugestão na Hipnose Ericksoniana

As sugestões que se relacionam com o problema, com o qual se está lidando, de uma maneira encoberta e discreta são sugestões indiretas. Estas sugestões geralmente não se relacionam diretamente com a experiência consciente do cliente. As sugestões indiretas são uma das pedras fundamentais da Hipnose Ericksoniana. As sugestões indiretas reforçam a experiência da mente inconsciente no sentido de que se está respeitando não apenas a sua autonomia, mas também sua habilidade em discernir o que ela talvez precise dentro da sua intervenção. Portanto, a mente inconsciente pode utilizar a sugestão indireta para melhorar sua evolução e crescimento contínuos.

Elas podem ser sutis, e geralmente não se relacionam diretamente com a experiência consciente da pessoa. Ao invés disso, elas estão relacionadas indiretamente e, portanto requerem que a mente inconsciente do cliente as interprete de forma idiossincrásica e dê sentido a elas. O uso de sugestões indiretas pode fazer com que o cliente fique, no nível consciente, pensando sobre o que é que você está falando, enquanto ao mesmo tempo a mente inconsciente dele conecta o que você está dizendo com suas experiências internas. Esse processo dinâmico é um dos mais importantes princípios fundamentais em todo o trabalho de Erickson e pavimenta o caminho para que a mudança aconteça. Com o uso de sugestões indiretas, o cliente é capaz de passar por aqueles difíceis processos interiores de:

• Desorganização
• Reorganização
• Re-associação
• Projeção de experiências interiores para atender às solicitações da sugestão

Portanto, as conclusões do cliente se tornam parte da vida experiencial, ao invés de uma simples resposta superficial.

Sugestões indiretas podem ser feitas de várias formas, pode ser contar histórias, analogias, piadas, jogos de palavras, passar tarefas de casa e dar sugestões embutidas e disfarçadas. Qualquer mecanismo de comunicação que requeira ou faça com que o cliente responda, sem dizer ou pedir diretamente para que ele faça isso, envolve uma sugestão indireta em algum grau.

Sugestão Direta
MILTON ERICKSON raramente utilizava sugestões diretas porque ele considerava isto contrário à autonomia da mente inconsciente. O uso de sugestão direta geralmente afasta o cliente do enquadramento Ericksoniano, de autonomia e respeito pelos poderes curativos (curative) da mente inconsciente, e minimiza a provável efetividade de qualquer intervenção. A sugestão direta não dá suporte ao cliente para que ele passe pelos difíceis processos de desorganização, reorganização, reassociação, e projeção de sua vivência interior para atender às solicitações da sugestão. Portanto, sua conclusão não se torna parte de sua vivência, mas apenas uma resposta superficial à sugestão direta.

A sugestão direta é baseada principalmente, se não há o conhecimento, sobre a suposição de que o que quer que se desenvolva na hipnose deriva da sugestão dada. Implica que o terapeuta tem o poder miraculoso de efetuar mudanças terapêuticas no cliente e desconsidera o fato de que a terapia resulta de uma ressíntese interior do comportamento do paciente realizada pelo próprio paciente. É verdade que a sugestão direta pode mudar o comportamento do paciente e resultar em uma cura (cure) do sintoma, ao menos temporariamente. Entretanto, isto é simplesmente uma resposta à sugestão e não implica na reassociação e reorganização de idéias, compreensões e memórias tão essenciais para uma cura (cure) verdadeira. É essa experiência de reassociação e reorganização da própria vida do cliente que resulta em uma cura (cure), e não a manifestação de comportamentos responsivos que podem, no máximo, satisfazer apenas o observador. Erickson não rejeitava a hipnose tradicional e a sugestão direta, mas ele construía sobre ela, na medida em que ele sentia que ela tinha uma aplicação muito limitada e que era útil com apenas cerca de dez por cento da população.

Por exemplo, a anestesia da mão pode ser sugerida diretamente e talvez resulte em uma resposta aparentemente adequada. Entretanto, se o paciente não interpreta o comando espontaneamente para incluir a percepção da necessidade de uma reorganização interna, essa anestesia não passará em testes clínicos e será uma pseudoanestesia.

Uma anestesia efetiva pode ser melhor induzida, por exemplo, iniciando-se uma série de atividades mentais com o próprio paciente, sugerindo que ele se recorde da sensação de dormência que sentiu após uma anestesia local, ou quando um braço ou uma perna ficaram dormentes, e então sugerindo que ele agora pode experimentar uma sensação parecida em sua mão. Através de uma tal sugestão indireta, capacita-se o paciente a passar por aqueles difíceis processos interiores de desorganização, reorganização, reassociação e projeção da experiência interior real para atender as solicitações da sugestão. Assim, a anestesia induzida se torna parte de sua vida experiencial, ao invés de uma resposta superficial, simples.

 

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